domingo, 5 de fevereiro de 2012

Conhecimento sem afetos vale menos

Vivemos uma época de permanente mudança e o que define e carateriza essa mudança é a economia.
Globalizada e ferozmente competitiva, esta exige dos indivíduos, atitudes, competências e conhecimentos muito diferentes daqueles que se consideravam serem suficientes em  épocas anteriores.
São cada vez mais os indivíduos que se deparam  com profissões que não tiram proveito da sua formação, ou descobrem que o conhecimento académico adquirido não os preparam devidamente para a vida profissional.
Passará a empregabilidade, exclusivamente, pelo investimento no conhecimento?
Considerando o que defendem alguns autores, o sucesso profissional não depende apenas do conhecimento. Atitudes, valores e outras dimensões não cognitivas, como é o caso das características afetivas e emocionais, também contribuem para arranjar e manter o emprego. É a chamada Inteligência Emocional e prende-se com as emoções.
Neste entendimento alguns autores, como Goleman (1998), defendem que são as emoções que expressam impulsos, geram ideias, condutas, ações e reações, isto é, não é apenas a razão que influencia os atos dos indivíduos. Os indivíduos emocionalmente inteligentes são os que usam a razão para compreender as suas próprias emoções e a dos outros.
O livro A Nova Inteligência, da autoria de Daniel Pink, (uma referência no mundo da gestão e do comportamento), explica porque devemos dar primazia ao hemisfério direito do nosso cérebro. Segundo este autor, esta é zona do cérebro que  está relacionada com as funções que podemos de apelidar de mais intuitivas, criativas, mais ligada ao nosso bem estar. Quanto ao  lado esquerdo, o autor relaciona-o com as  funções designadas como "mais racionais", metódicas, vocacionadas para tarefas mais exatas no seu planeamento e execução. Este tem sido o lado do cérebro mais valorizado nos últimos tempos, com consequências ao nível do bem estar e felicidade das pessoas.
Segundo a Psicologia Positiva e, numa sociedade onde a economia prevalece sobre tudo o resto, o caminho tem que ser o de dar atenção ao bem estar das pessoas, aos seus níveis de felicidade e, sobretudo, tê-las em consideração quando se pensa em políticas económicas.
É um caminho difícil, sobretudo numa altura em que as politicas educativas valorizam cada vez mais o lado esquerdo do nosso cérebro: a educação é razão, lógica. Tudo o que seja intuição, criatividade, isto  é, funções atribuídas ao lado direito, é menos valorizado.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Lado B(om) da Crise..............

Vivemos de facto um tempo de transição, vulgarmente denominado de "crise" em que os receios são muitos e as certezas muito poucas. Este momento parece ser o ideal para o lançamento de novas construções, mais especificamente ao nível da reconstrução da relação do indivíduo com o mundo. Estas situações, essencialmente desafiantes, e para as quais nem sempre o individuo está preparado é que se perspetivam como verdadeiras transições de vida.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A escola pública de qualidade e a promoção da investigação cientifica são uma parte fundamental da solução e não uma parte do problema...

Subscrevo, totalmente, o conteúdo do manifesto abaixo apresentado e divulgado hoje no Público. Isto porque,  a educação tem de continuar a ser entendida como um direito que potencia um conjunto mais vasto de outros.

Da disponibilização deste direito deve-se incumbir o Estado, que tem a obrigação institucional de proporcionar a todos os cidadãos  um sistema de ensino público de qualidade.

 

A educação, o país, o futuro

 Nos seus 35 anos de democracia Portugal venceu o desafio da democratização do acesso à educação e aproximou-se dos níveis de qualificação europeus. Ainda que muitas das promessas da escola pública tenham sido apenas parcialmente cumpridas e que o acréscimo das qualificações não tenha sempre vindo acompanhado de maior justiça social e de crescimento, a verdade é que a educação está no centro do aprofundamento da democracia e da possibilidade do desenvolvimento.
As perspectivas com que se confronta hoje o campo educativo são, contudo, desoladoras. A situação das finanças públicas reclama um conhecimento e avaliação exigentes de todos os compromissos públicos, identificando despesa desnecessária, supérflua e geradora de injustiças sociais e distinguindo-a da que é indispensável, que colmata problemas sociais graves e qualifica o país. Por isso mesmo, a fragilização da educação não pode ser o objectivo de uma política que enfrente as dificuldades e o défice económico e social do país. A escola pública de qualidade e a promoção da investigação científica são uma parte fundamental da solução e não uma parte do problema.
O corte de 864 milhões de euros em 2012 na educação e ciência atira Portugal para a retaguarda da União Europeia em matéria de investimento no ensino. Em 2010 as despesas do Estado com a educação representavam 5% do PIB; passarão agora a apenas 3,8%. Na UE, a média é de 5,5% e na Eslováquia, que estava no final do tabela, rondava os 4%.
Esta escolha terá um efeito devastador nas escolas, e, portanto, sobre as crianças e os jovens que construirão o futuro do país. Se esta política for avante, as escolas e as universidades perderão milhares de professores necessários, muitos recursos fundamentais e assistiremos inevitavelmente à degradação das condições de aprendizagem com o aumento do número de alunos por turma e o término de algumas experiências fundamentais de combate ao insucesso escolar. A situação das finanças públicas não pode, portanto, servir de argumento para deteriorar a vida nas escolas, precarizar as relações de trabalho e hipotecar o futuro da educação.
Os défices da escola pública não se resolvem, tampouco, com a dualização do sistema educativo nem com a estratificação das vias escolares, abandonando o mandato democrático que estabelece que a escola deve garantir a igualdade, em lugar de promover a desigualdade como programa de política educativa.
O discurso segundo o qual estamos perante um abaixamento generalizado das competências e que isso exige como resposta que a escola volte “aos conhecimentos básicos” não se fundamenta em nenhum diagnóstico comprovado nem na apresentação de qualquer dado objectivo. Sem base na realidade, o seu efeito é, pelo contrário, expurgar tudo o que na educação escolar possa ter uma relação com a vida quotidiana, com o mundo da vida dos jovens, com as capacidades, competências e conhecimentos ligados à cidadania, à promoção do pensamento crítico, da participação ou da curiosidade científica.
No Ensino Superior há uma séria limitação da actividade das instituições, rompendo-se metas estabelecidas e compromissos assumidos e agravando-se as condições de desigualdade no acesso e na frequência, seja através da pressão para o encarecimento da formação como forma de recolher receitas próprias, seja na diminuição das verbas disponíveis para a acção social escolar, seja na incapacidade de entender as qualificações produzidas como o principal recurso para um outro modelo económico. A limitação do investimento na investigação anuncia a prazo o fim das redes de produção de conhecimento científico que constituem um dos mais preciosos recursos que o país criou nas últimas décadas. Desperdiçar esse investimento e qualificação é eliminar uma das melhores possibilidades de reconstrução promissora do futuro do país.
O nosso país confronta-se hoje com um cenário em que se propõe à escola pública e ao ensino superior que recue décadas, quer na definição do seu papel, quer nas suas formas de organização, quer nas modalidades pedagógicas a que recorre. Pelo contrário, precisamos, em particular em contexto de crise, de um sistema educativo que seja mais democrático, mais respeitador da diversidade e mais promotor da igualdade.
A afirmação do conhecimento, da cultura e da cidadania obriga-nos, enquanto agentes da educação e da ciência, a utilizar todas as nossas energias contra o esvaziamento do papel do Estado na educação, o desmantelamento de políticas de combate às desigualdades escolares e contra uma reeestruturação curricular cujo sentido seja a recuperação de uma escola conservadora contra a complexidade e a abertura que a sociedade de hoje exige.
Ana Benavente (investigadora ex-Secret. Estado Educação,); Ana Cláudia Pimenta (Ass. Acad. Univ. Évora); Ana Costa (investig. ISCTE-IUL); Ana Drago (deputada Com. Educação da AR); Adriana Bebiano (investig., prof. FLUC); Almerindo Janela Afonso (investig., prof. Univ. Minho); António Avelãs (presidente SPGL); André Moreira (Presid. AE Esc. Secund. Paredes); António Teodoro (investig., prof. Univ. Lusófona); Arsélio Martins (Prémio Nacional de Professor 2007); Carlos Fortuna (investig., prof.FEUC); Conceição Nogueira (prof. Univ. Minho); Eduardo Melo (Presid. Ass. Acad. Coimbra) Eliana Tavares (AE ICBAS); Fátima Antunes (investig. IEC- UM); Fernando Rosas (investig., prof. FCSH – UNL); João Luís Queirós (trab-est, ESE, ABIC); João Mineiro (AE do ISCTE-IUL); João Teixeira Lopes (sociólogo); Jorge Martins (prof, ex- Director Regional de Educação;  Jorge Sequeiros (investig. IBMC); José Alberto Correia (prof., Director  FPCEUP); José Moreira (Vice-presidente do SneSup); José Soeiro (sociólogo, bolseiro investigação); Licínio Lima (investig., prof. Univ. Minho); Luiza Cortesão (Directora Inst. Paulo Freire); Manuel Carlos Silva (prof U. Minho, presidente APS); Manuel Grilo (prof., dirigente SPGL); Manuel Jacinto Sarmento (investig. IEC, prof. Univ. Minho); Manuela Mendonça (Presidente SPN); Marco Loureiro (presid. Ass. Acad. Guarda); Maria José Araújo (animadora); Maria José Viseu (Presid. Conf. Nacional Independente Pais e Encarregados de Educ); Maria José Vitorino (prof., bibliotecária); Maria do Rosário Gama (Ex-directora Esc. Sec. Infanta D. Maria); Mário Nogueira (Secretário-geral FENPROF); Marlene Espírito Santo (presidente AE da ES Enfermagem Lisboa); Miguel Reis (prof., Movimento Prof. Contratados); Nuno Serra (investigador CES); Paulo Guinote (prof. , blog educação do meu umbigo); Paulo Peixoto (investig., ex-presid. SNESup); Pedro Oliveira (prof ICBAS, dirigente SPN); Ricardo Silva (APEDE, Ass. Prof e Educadores em Defesa do Ensino); Rodrigo Pereira (AE ES Teatro e Cinema IPL); Rosa Madeira (investig., prof. Univ. Aveiro); Rui Bebiano (investig., prof.FLUC); Rui Borges (investigador FCUL); Rui d’Espiney (Instituto Comunidades Educativas); Rui Trindade (investig., prof. FPCEUP); Samuel Niza (investigador Inst. Sup. Técnico); Sérgio Niza (Movimento Escola Moderna)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

Importa refletir, sobre a importância da comunicação nos dias de hoje. 
A comunicação é uma necessidade absoluta dos nossos dias e poderá facilmente fazer-nos tropeçar, dificultar os nossos contactos e até provocar problemas se não atendermos aos seus princípios e requisitos.Saber comunicar, isto é fazer-se compreender, está a tornar-se um dos maiores problemas do mundo de hoje.

Tendo ou não consciência disso, todos nós passamos grande parte  do tempo, seja, a compartilhar emoções e afetos, seja, a trocar saberes e experiências,  ideias e informações,  ou ainda, a negociar bens e serviços, entre outras. Dependemos de quase todo o mundo e todo o mundo depende de nós. 

Neste entendimento, a comunicação torna-se  vital para o desenvolvimento e manutenção do relacionamento  humano. Nasce da intenção e vontade das pessoas, recíproca  e ativamente, se escutarem e não apenas ouvirem. 

A verdadeira comunicação pressupõe, por parte de cada interlocutor, uma elevada capacidade para entender o mundo emocional e vivencial do outro, sem ter de o sentir da mesma forma que ele o sente.Isto é, exige capacidade para se colocar no lugar do outro e vê-lo tal como ele é. Só deste modo é possível entender as suas mensagens, aperceber-se da sua singularidade e sentir as suas emoções.

Por vezes, o mais importante não é o que dizemos, mas o modo como os outros acolhem as nossas mensagens.


Em jeito de reflexão "não basta dizer a verdade, é preciso saber comunicá-la"

domingo, 30 de outubro de 2011

DA PRESCRIÇÃO.... À REFLEXÃO

Até há relativamente pouco tempo, o profissional de orientação vocacional era visto como um especialista que, através da aplicação de testes, prescrevia às pessoas/alunos(as) um curso, uma profissão que corresponderia às características individuais do(a) avaliado(a). 

Actualmente, vigora uma perspectiva mais ampla de orientação. O profissional de orientação já não se coloca na perspectiva de orientar em termos de carreira ou plano vocacional, mas de orientar a planificação de vida.

Mais do que apoiar na escolha de um curso ou uma profissão, cabe, ajudar as pessoas/alunos(as) a conhecerem as suas capacidades e competências, a identificarem os seus interesses, desejos e expetativas, para as apoiar na (re)construção do(s) seu(s) projeto(s) de vida.

Hoje, sabemos que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo e que a nossa criatividade e os nossos potenciais podem ser descobertos e melhorados em qualquer altura da vida. 

Cabe-nos, portanto, lançar mãos a novas ferramentas que favoreçam a nossa evolução pessoal e nos preparem melhor para a adaptação ao tempo em que vivemos e que nos permitam descobrir e aperfeiçoar novas competências, muitas das quais não sonhávamos ter.

Neste sentido, deve-se perspetivar a pessoa/aluno(a) como um todo, como pessoa que procura um sentido para a sua vida, que é portadora de uma história única, de expetativas e sonhos.

Não se pode pensar a orientação como uma receita prescrita, mas antes como um processo de reflexão que conduza ao auto conhecimento.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Qualificações e Competências...que diferenças?

Os sistemas de Ensino e de Formação assumem, cada vez mais, um papel fundamental na "produção" das qualificações indispensáveis para enfrentar, com sucesso, os exigentes desafios que nos são colocados diariamente, sobretudo ao nível profissional. 
No entanto, questionamos se o mercado de trabalho absorve, de facto, as qualificações que são produzidas por estes sistemas.

De acordo com  o último relatório da OCDE, Portugal surge como um país onde se verifica uma melhoria na qualificação da população, nomeadamente ao nível do ensino secundário. Este facto constitui um feito importante para o país, uma vez que durante décadas foi dos piores na educação e formação.
Assim, e neste contexto, importa perceber se os sistemas de educação e formação estão, de facto, a agir no sentido de produzir as qualificações necessárias para o desenvolvimento do país?

Existe uma diferença assinalável entre o conceito de qualificações e o conceito de competências. As primeiras, são categorias formais que dizem respeito a conhecimentos ou habilidades que se supõe estarem adquiridos por determinadas pessoas, através da posse de um determinado comprovativo formal, passado por uma entidade "idónea". As segundas, são acções concretas que produzem resultados observáveis e mensuráveis num dado contexto ou situação.

Neste entendimento, a competência mostra-se no acto, é um saber agir. Para saber agir é necessário ter conhecimentos, capacidades e saber mobilizá-los. A competência constrói-se e revela-se pela prática.
Assim, não é claro que uma pessoa que esteja qualificada para realizar determinada actividade, evidencie, só por isso, a competência de a "fazer bem".

A questão central, desta reflexão,  é a de sabermos se a progressão das qualificações é acompanhada por uma, expectável, melhoria das competências. De acordo com a filosofia chinesa - "O que se sabe não tem valor em si mesmo. O valor está no que se faz com o que se sabe"

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A importância da Educação num país em crise

Sou dos que pensam que uma modalidade diferente de educação está por inventar.Isto porque, os discursos e as práticas que sustentam os procedimentos educativos na instituição escolar têm vindo a falhar.

Nestes tempos de mudança, a par das exigências da qualidade do ensino devem estar as exigências da qualidade do exercício da cidadania. Não basta preparar cérebros, é decisivo formar pessoas.
Na essência, a educação tem de perseguir incansavelmente um objectivo muito concreto, ou seja, preparar os jovens para a sociedade de amanhã. Para isso, tem de ter em conta dois aspectos bem precisos: a preparação para a vida profissional e, talvez mais importante, a preparação para a vida em sociedade.

Neste entendimento, cabe à escola, entre outras, alertar os jovens para os grandes flagelos que afectam a humanidade e incentivar a sua intervenção cívica; ajudar  a perceber o seu papel social na comunidade e a vivê-lo de uma forma actuante;  informar e consciencializar dos seus direitos e deveres; a assumirem as suas responsabilidades individuais e sociais; a compreender que se pode ter influência e marcar a diferença na respectiva comunidade de pertença. 

Neste sentido, o ensino deve promover um modelo de cidadão livre, responsável, autónomo, solidário, possuidor de um espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, dotado de um espírito crítico e criativo em relação à sociedade em que se integra.

Numa sociedade cada vez mais marcada pelo discurso economicista, em que o fosso entre ricos e pobres se agrava diariamente, o papel da escola é necessariamente limitado.Pensar que a escola pode reformar a sociedade e acabar com as assimetrias sociais existentes é depositar nos seus ombros um peso excessivo. No entanto, a escola pode dar um contributo forte, uma vez que é uma instituição vocacionada para formar as gerações mais novas.
O investimento na educação não deve ser apenas mensurável em termos economicistas, uma vez que lhe está associado um efeito social multiplicador.
Assim, sem um novo discurso que ponha a economia ao serviço do homem, e não o seu contrário, a escola ficará sempre muito aquém do que dela é esperado