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sábado, 3 de novembro de 2012

Um Olhar Prospetivo sobre...a Orientação Vocacional

Antes de abordar o tema propriamente dito, importa referir  o que é isto de prospetiva. 
De acordo com alguns especialistas, a prospetiva é uma metodologia científica que procura reconhecer o futuro nos dados fornecidos pelo presente. Surgiu em França, por volta dos anos 60, e permite fazer uma previsão a longo prazo, nomeadamente no domínio das ciências humanas.Tem como principal característica antecipar esse futuro, tornando-nos  mais ágeis a reagir e também a identificar oportunidades. Dito de outra forma, privilegia a proatividade.
A minha familiarização com este conceito surgiu, quando da minha passagem pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, mais concretamente no GPAR (Grupo de Prospetiva e Análise de Risco) no qual tive o privilégio de fazer parte. 

Durante décadas privilegiámos a estabilidade das escolhas profissionais. Hoje, sabemos que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo e que a nossa criatividade e os nossos potenciais podem ser descobertos, trabalhados e melhorados em qualquer altura da vida.

Na verdade tudo indica que é assim que as coisas terão que acontecer e, daí também, a necessidade de pensar a questão da vocação e perceber as ajudas que existem nas escolas e fora delas.
Cabe-nos, portanto, lançar a mão a novas ferramentas que favoreçam a nossa evolução pessoal e nos preparem melhor para a adaptação tempo em que vivemos e que nos permitam descobrir e aperfeiçoar novas competências, muitas das quais não sonhávamos ter.
Isto porque, enquanto sintoma de crise, a instabilidade tem a vantagem de nos obrigar a ir mais fundo na procura e desenvolvimentos dos nossos recursos, de maneira a usá-los melhor e o mais plenamente possível para podermos ultrapassar os obstáculos. E se este princípio se aplica em todas as épocas e nas situações mais variadas da nossa vida, neste momento, em concreto, não pode ser mais verdadeiro e oportuno.
Esta necessidade de nos ultrapassarmos traduz-se numa procura de aprofundamento do nosso auto conhecimento. Só isto permite ter uma consciência mais alargada das nossas competências, tornar mais claros os nossos interesses, conhecer desejos e motivações e fazer escolhas mediante esta realidade.


Neste sentido, e para que a Orientação Vocacional possa cumprir com a sua real finalidade, deve ser operacionalizada de maneira coerente, ou seja, mais que informar sobre as carreiras profissionais a Orientação Vocacional deve promover o auto conhecimento do indivíduo. 
Mais do que o ajudar a escolher uma profissão, a Orientação Vocacional deve auxiliar o indivíduo a adaptar-se à vida.

  

domingo, 30 de outubro de 2011

DA PRESCRIÇÃO.... À REFLEXÃO

Até há relativamente pouco tempo, o profissional de orientação vocacional era visto como um especialista que, através da aplicação de testes, prescrevia às pessoas/alunos(as) um curso, uma profissão que corresponderia às características individuais do(a) avaliado(a). 

Actualmente, vigora uma perspectiva mais ampla de orientação. O profissional de orientação já não se coloca na perspectiva de orientar em termos de carreira ou plano vocacional, mas de orientar a planificação de vida.

Mais do que apoiar na escolha de um curso ou uma profissão, cabe, ajudar as pessoas/alunos(as) a conhecerem as suas capacidades e competências, a identificarem os seus interesses, desejos e expetativas, para as apoiar na (re)construção do(s) seu(s) projeto(s) de vida.

Hoje, sabemos que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo e que a nossa criatividade e os nossos potenciais podem ser descobertos e melhorados em qualquer altura da vida. 

Cabe-nos, portanto, lançar mãos a novas ferramentas que favoreçam a nossa evolução pessoal e nos preparem melhor para a adaptação ao tempo em que vivemos e que nos permitam descobrir e aperfeiçoar novas competências, muitas das quais não sonhávamos ter.

Neste sentido, deve-se perspetivar a pessoa/aluno(a) como um todo, como pessoa que procura um sentido para a sua vida, que é portadora de uma história única, de expetativas e sonhos.

Não se pode pensar a orientação como uma receita prescrita, mas antes como um processo de reflexão que conduza ao auto conhecimento.

terça-feira, 14 de junho de 2011

As pessoas não nascem com uma vocação, constroem-na

Durante décadas privilegiámos a estabilidade nas escolhas profissionais. Hoje, mais do que nunca, sabemos que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo e, que a nossa criatividade e os nossos potenciais podem ser descobertos, trabalhados e melhorados em qualquer momento da nossa  vida.

As grandes mudanças económicas e sociais ocorridas nos últimos anos, (com consequências ao nível da imprevisibilidade e incerteza no quotidiano das nossas vidas), transformaram-nos e obrigam-nos a encarar novas formas de vida, que nos permitem adaptar a uma realidade plena de desafios nunca antes imaginados. Desafios, que surgem de todos os lados e cruzam todas as áreas da nossa vida, desde a familiar e profissional até à  relacional e ao próprio desenvolvimento pessoal.

Neste entendimento, cabe-nos lançar a mão a novas ferramentas que favoreçam a nossa evolução pessoal e nos prepare  melhor para a adaptação ao tempo em que vivemos, permitindo-nos, ainda, descobrir e aperfeiçoar novas competências, muitas das quais não sonhávamos ter.

Enquanto sintoma de crise, a instabilidade tem a vantagem de nos obrigar a ir mais fundo na procura e desenvolvimento dos nossos recursos, de maneira a usá-los melhor e o mais plenamente possível para podermos ultrapassar obstáculos. Se este princípio se aplica em todas as épocas e nas situações mais variadas da nossa vida, neste momento, em concreto, não pode ser mais verdadeiro e oportuno.

Esta necessidade de nos ultrapassarmos traduz-se, numa procura de aprofundamento do nosso auto conhecimento. Só este,  permite ter uma consciência mais alargada das nossas competências e lacunas, torna mais claros os nossos interesses e dá a conhecer desejos e motivações que, consequentemente, nos poderá levar a  fazer melhor(es) escolha(s).

Todos temos uma diversidade de recursos dentro de nós, um imenso potencial criativo, possível de ser revelado nas mais variadas formas de expressão e desenvolvido em diferentes graus, dependendo de uma série de factores e condições.Destacando, entre outras, uma multiplicidade de experiências, segurança afectiva, aceitação e liberdade de expressão de sentimentos dentro da família. No entanto, a interacção fora da família, na escola, junto de amigos e de todos os que fazem parte da nossa rede relacional é igualmente fundamental. Todos contribuem, à sua maneira, para a formação de todos nós, quer pela troca de informação,quer pelas experiências e  pelos estímulos que oferecem. Escusado será dizer que o meio cultural que vivemos, a qualidade de ensino na escola e os métodos de aprendizagem nele utilizados, bem como as oportunidades sociais e económicas,  são essenciais para a orientação do seu desenvolvimento.

Deste modo a orientação vocacional, como a entendo e pratico, através de uma perspectiva psicológica que dá prioridade à relação entre o sujeito e o mundo- a perspectiva Construtivista, Desenvolvimental e Ecológica, permite a integração das várias dimensões do exercício psicológico que interferem no processo vocacional. As pessoas não nascem com uma vocação, constroem-na. Nessa construção estão envolvidos diversos factores ( interesses e valores pessoais, influências parentais ou dos pares, etc.).
Assim, nesta perspectiva, a orientação vocacional, mais do que dizer às pessoas que têm mais jeito para  isto, ou para aquilo, trabalha o auto-conhecimento e promove a autonomia. Desta forma, capacita-as  para tomar decisões sempre que for necessário(indo para além do domínio escolar e profissional), e não se circunscrevendo, apenas, a momentos de crise.

Desta intervenção, e do bom uso que dela fazemos, decorre, naturalmente, maiores níveis de satisfação e de auto-estima, que nos dão confiança e motivação para ir mais longe, querer saber mais e aperfeiçoar talentos e saberes, muitos dos quais não sonhávamos ter.

De todo este processo sai a ganhar o nosso desenvolvimento pessoal, que nos torna mais completos e satisfeitos e nos faz sentir mais inteiros em tudo o que fazemos.Uma conquista que, a ser concretizada, contribui para a diminuição do  número de pessoas que, nas empresas e outras organizações, apenas aí estão de "meio corpo" e não de "corpo inteiro".Funcionam mas não vivem....

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Estudar (ainda) vale a pena.....

Os/as portugueses/as ainda não digeriram completamente a brutal transformação do ensino superior nas últimas décadas. O universo de licenciados/as já não é um corpo de elite inacessível à maioria; pelo contrário, tornou-se uma legião de jovens sem conexão a qualquer estatuto social, familiar ou cultural. A democratização do ensino trouxe aos jovens em idade de escolher os seus cursos e/ou aos pais empenhados em ajudá-los a realizar as melhores opções uma série de angústias novas, para as quais ninguém tem resposta certa.Se até à geração anterior uma licenciatura era o melhor meio de se garantir um lugar no mundo do trabalho, hoje as estatísticas do desemprego acolhem milhares de jovens recém-formados.

As manifestações do tipo "geração à rasca", vieram colocar de novo o problema da educação e das suas vantagens e desvantagens, isto, num momento delicado de profunda crise económica e social. O problema pode ser resumido na seguinte pergunta: vale a pena, afinal, estudar????

Esta questão comporta um elemento de perigo que vale a pena encarar de frente: o da descrença nos efeitos da educação na valorização dos individuos  e da sociedade que integram. O pior que pode acontecer ao sistema educativo, aos jovens e ao país, é a consolidação que a educação não serve para nada, nem para garantir a mobilidade social, nem para prover meios indispensáveis para uma vida confortável. Torna-se, é certo, manter este discurso com jovens que concluíram os seus cursos universitários e estão no desemprego ou em empregos pouco qualificados e mal remunerados; é difícil fazer crer aos licenciados que trabalham fora das suas áreas de competência que os problemas estruturais do país, podem ser superados em breve. Mas há, também, um dado incontornável nestas discussões: sem formação superior o problema pessoal de muitos jovens seria provavelmente pior.

Quem está na fase de entrar nas últimas etapas de formação tem por isso de estar convencido/a de que apesar de a realidade ser dura, o desemprego afecta mais os jovens não qualificados do que os qualificados; que uma formação superior é sempre um ingrediente capaz de nos tornar mais abertos à compreensão do mundo e, por isso, mais adaptáveis às suas exigências.

Com base nestes instrumentos, o que os jovens e os seus pais têm de procurar evitar são armadilhas de cursos que existem apenas por tolerância do Governo e interesse próprio dos seus docentes ou áreas de formação nas quais a saturação de mão de obra é incontornável.Também neste ponto terá de haver uma ponderação cuidada. Isto porque, seja em Portugal ou em qualquer outro pais, haverá sempre lugar para os melhores entre os melhores, sejam eles da área da psicologia, engenharia, história, ou outras. Será sempre mais reconhecido/a, por exemplo, um/a bom/boa filólogo/a do que um mau/má engenheiro/a.

O que importa é reflectir bem sobre o que se quer e, principalmente, acreditar que o estudo é, não apenas uma condição fundamental para que sejamos cidadãos melhores, mas também, para que nos tornemos mais capazes de desempenhar tarefas de exigência superior. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Importância Percebida da Orientação Vocacional na redução do insucesso académico e do risco de abandono escolar dos/as alunos/as do Ensino Secundário beneficiários da Acção Social Escolar

Resumo

Este estudo procura abordar qual a importância percebida de práticas de promoção do desenvolvimento vocacional, junto de alunos do Ensino Secundário, oriundos de famílias consideradas carenciadas, que beneficiam da Acção Social Escolar (SASE). Caracterizada como uma população em elevado “risco” de abandono e insucesso escolar, a principal finalidade da investigação é compreender, a partir de uma abordagem contextual e desenvolvimentista do desenvolvimento humano, se e qual o papel que a intervenção vocacional poderá ter na diminuição do abandono e insucesso escolar deste segmento da comunidade estudantil, tendo em conta algumas particularidades do seu contexto, partindo da auscultação dos próprios alunos e de  fontes do contexto escolar e familiar. Foi adoptada uma metodologia de tipo qualitativo, tendo-se optado pela utilização de entrevistas semi-estruturadas como técnica de recolha de dados que foram, posteriormente, analisados com recurso ao software de análise de conteúdo NVIVO 8. Da amostra da presente investigação fizeram parte 29 participantes, de uma escola da área do Grande Porto incluindo alunos do 11.º ano do curso cientifico humanístico – área das Ciências e Tecnologias (n=12), pais e/ou encarregados de educação de alguns destes alunos (n=7), professores de diversas disciplinas dos alunos entrevistados (n=8) bem como duas técnicas (uma psicóloga e uma técnica de acção social escolar). Como principais conclusões deste estudo emergem, a importância, enfatizada por todos os participantes, do papel da orientação vocacional na redução do abandono e insucesso escolar desta população escolar, nomeadamente, no momento da primeira escolha vocacional. O envolvimento da família, sobretudo da mãe, e da maioria dos professores é outro dos aspectos que se destaca juntamente com as elevadas expectativas tanto de alunos como da família relativamente às escolhas vocacionais realizadas.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Novo blogue sobre Orientação Vocacional de Jovens e Adultos

Orientação Vocacional: que caminho seguir?

Numa sociedade em contínua mudança, contínuos são também os riscos e os desafios. O ser humano vai-se apercebendo, cada vez mais intensamente, não só da relatividade e precariedade dos seus conhecimentos, como ainda da "obrigação" enquanto cidadão de os partilhar.
Neste entendimento, considera-se indispensável a actualização contínua e permanente de todos/as aqueles/as que exercem funções nesta área.
Este blogue surge, neste âmbito, como um espaço de (in)formação  do que se faz e como se faz. Assenta sobretudo na partilha, quer de conhecimentos, quer de experiências vivenciadas.