domingo, 18 de março de 2012

A importância de aprender a empreender.....

Num contexto económico atual, em que aumenta o risco de exclusão duradoura do mercado de trabalho e de maior precariedade do emprego, o empreendedorismo ganha, entre nós, um maior relevo. Assim,  apesar de considerar que não há soluções mágicas, criar o próprio emprego pode ser considerado uma alternativa, sobretudo, num contexto de crise como o que enfrentamos.

O enfoque no empreendedorismo no quadro das políticas ativas de emprego não é novo. Apesar de Portugal ser considerado o  país da Europa onde a vontade de empreender é das mais elevadas, os últimos dados conhecidos revelam que, na altura de passar da ideia à concretização, a maioria dos indivíduos desiste.

Os principais entraves que poderão estar na origem deste desfasamento entre a intenção e a ação, relacionam-se com a aversão ao risco, com o medo de fracassar e com a burocracia excessiva inerente à criação de empresas.Ser empreendedor exige mais do que simplesmente ter uma ideia de negócio que muitas vezes fica pelo caminho ao confrontar-se com adversidades.

Perante um clima económico desfavorável e a falta de informação, agravados pela quase inexistência de uma cultura de ensino empreendedor no país, debater, promover e explicar o empreendedorismo, sobretudo nas nossas escolas e universidades, é o caminho a seguir.

 Em jeito, não de conclusão mas de reflexão, entendo que, apesar de não existir nenhuma personalidade tipo ou lista que identifique os requisitos necessários para ser empreendedor, há, contudo, determinadas caraterísticas pessoais que o diferenciam positivamente.  
 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Escolher é Decidir......



Nas nossas vidas, os maiores problemas não são os obstáculos do caminho,  mas a escolha da direção errada. 
Neste entendimento, o momento de escolher, seja a nível pessoal, profissional ou académico, torna-se  assim ,uma das decisões mais importante da nossa vida.
A época em que vivemos, é uma era de incertezas, de fragmentações, de desconstruções, da procura de valores, do vazio, do imediatismo, do hedonismo, do consumismo, etc.. É um período em que os indivíduos tendem a sentir-se confusos diante da velocidade com que o seu mundo se modifica, tornando, por isso, nebulosa a sua própria inserção nesse mundo.
Neste contexto, cabe-nos  lançar a mão a novas ferramentas, que favoreçam a nossa evolução pessoal e nos preparem melhor para a adaptação ao tempo em que vivemos, e nos permita descobrir e aperfeiçoar novas competências.
Enquanto sintoma de crise, a instabilidade tem a vantagem de nos obrigar a ir mais fundo na procura e desenvolvimento dos nossos recursos, e da maneira de utiliza-los melhor e o mais plenamente possível e, deste modo, ultrapassar os obstáculos.
Esta necessidade de nos ultrapassarmos traduz-se numa procura de aprofundamento do nosso auto conhecimento. Só isto permite ter uma consciência mais alargada das nossas competências, tornar mais claros os nossos interesses, conhecer desejos e motivações e fazer escolhas mediante esta realidade.
Neste sentido, mais do que informar sobre as carreiras profissionais ou ajudar a escolher uma profissão, cabe à Orientação Vocacional, promover o auto conhecimento e auxiliar o indivíduo a adaptar-se à vida.
Escolher é esboçar um projeto de vida. Estabelecer e fixar esse projeto é, por vezes, mais que uma escolha, pois implica  renunciar a várias outras escolhas possíveis. Escolher é decidir e essa decisão é um ato de coragem que significará perda.
Assim, encarar a escolha significa encarar o conflito que se trava dentro de nós, e que por vezes  é dolorosa, cansativa e angustiante, mas que deve ser enfrentada.
 
 


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Conhecimento sem afetos vale menos

Vivemos uma época de permanente mudança e o que define e carateriza essa mudança é a economia.
Globalizada e ferozmente competitiva, esta exige dos indivíduos, atitudes, competências e conhecimentos muito diferentes daqueles que se consideravam serem suficientes em  épocas anteriores.
São cada vez mais os indivíduos que se deparam  com profissões que não tiram proveito da sua formação, ou descobrem que o conhecimento académico adquirido não os preparam devidamente para a vida profissional.
Passará a empregabilidade, exclusivamente, pelo investimento no conhecimento?
Considerando o que defendem alguns autores, o sucesso profissional não depende apenas do conhecimento. Atitudes, valores e outras dimensões não cognitivas, como é o caso das características afetivas e emocionais, também contribuem para arranjar e manter o emprego. É a chamada Inteligência Emocional e prende-se com as emoções.
Neste entendimento alguns autores, como Goleman (1998), defendem que são as emoções que expressam impulsos, geram ideias, condutas, ações e reações, isto é, não é apenas a razão que influencia os atos dos indivíduos. Os indivíduos emocionalmente inteligentes são os que usam a razão para compreender as suas próprias emoções e a dos outros.
O livro A Nova Inteligência, da autoria de Daniel Pink, (uma referência no mundo da gestão e do comportamento), explica porque devemos dar primazia ao hemisfério direito do nosso cérebro. Segundo este autor, esta é zona do cérebro que  está relacionada com as funções que podemos de apelidar de mais intuitivas, criativas, mais ligada ao nosso bem estar. Quanto ao  lado esquerdo, o autor relaciona-o com as  funções designadas como "mais racionais", metódicas, vocacionadas para tarefas mais exatas no seu planeamento e execução. Este tem sido o lado do cérebro mais valorizado nos últimos tempos, com consequências ao nível do bem estar e felicidade das pessoas.
Segundo a Psicologia Positiva e, numa sociedade onde a economia prevalece sobre tudo o resto, o caminho tem que ser o de dar atenção ao bem estar das pessoas, aos seus níveis de felicidade e, sobretudo, tê-las em consideração quando se pensa em políticas económicas.
É um caminho difícil, sobretudo numa altura em que as politicas educativas valorizam cada vez mais o lado esquerdo do nosso cérebro: a educação é razão, lógica. Tudo o que seja intuição, criatividade, isto  é, funções atribuídas ao lado direito, é menos valorizado.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Lado B(om) da Crise..............

Vivemos de facto um tempo de transição, vulgarmente denominado de "crise" em que os receios são muitos e as certezas muito poucas. Este momento parece ser o ideal para o lançamento de novas construções, mais especificamente ao nível da reconstrução da relação do indivíduo com o mundo. Estas situações, essencialmente desafiantes, e para as quais nem sempre o individuo está preparado é que se perspetivam como verdadeiras transições de vida.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A escola pública de qualidade e a promoção da investigação cientifica são uma parte fundamental da solução e não uma parte do problema...

Subscrevo, totalmente, o conteúdo do manifesto abaixo apresentado e divulgado hoje no Público. Isto porque,  a educação tem de continuar a ser entendida como um direito que potencia um conjunto mais vasto de outros.

Da disponibilização deste direito deve-se incumbir o Estado, que tem a obrigação institucional de proporcionar a todos os cidadãos  um sistema de ensino público de qualidade.

 

A educação, o país, o futuro

 Nos seus 35 anos de democracia Portugal venceu o desafio da democratização do acesso à educação e aproximou-se dos níveis de qualificação europeus. Ainda que muitas das promessas da escola pública tenham sido apenas parcialmente cumpridas e que o acréscimo das qualificações não tenha sempre vindo acompanhado de maior justiça social e de crescimento, a verdade é que a educação está no centro do aprofundamento da democracia e da possibilidade do desenvolvimento.
As perspectivas com que se confronta hoje o campo educativo são, contudo, desoladoras. A situação das finanças públicas reclama um conhecimento e avaliação exigentes de todos os compromissos públicos, identificando despesa desnecessária, supérflua e geradora de injustiças sociais e distinguindo-a da que é indispensável, que colmata problemas sociais graves e qualifica o país. Por isso mesmo, a fragilização da educação não pode ser o objectivo de uma política que enfrente as dificuldades e o défice económico e social do país. A escola pública de qualidade e a promoção da investigação científica são uma parte fundamental da solução e não uma parte do problema.
O corte de 864 milhões de euros em 2012 na educação e ciência atira Portugal para a retaguarda da União Europeia em matéria de investimento no ensino. Em 2010 as despesas do Estado com a educação representavam 5% do PIB; passarão agora a apenas 3,8%. Na UE, a média é de 5,5% e na Eslováquia, que estava no final do tabela, rondava os 4%.
Esta escolha terá um efeito devastador nas escolas, e, portanto, sobre as crianças e os jovens que construirão o futuro do país. Se esta política for avante, as escolas e as universidades perderão milhares de professores necessários, muitos recursos fundamentais e assistiremos inevitavelmente à degradação das condições de aprendizagem com o aumento do número de alunos por turma e o término de algumas experiências fundamentais de combate ao insucesso escolar. A situação das finanças públicas não pode, portanto, servir de argumento para deteriorar a vida nas escolas, precarizar as relações de trabalho e hipotecar o futuro da educação.
Os défices da escola pública não se resolvem, tampouco, com a dualização do sistema educativo nem com a estratificação das vias escolares, abandonando o mandato democrático que estabelece que a escola deve garantir a igualdade, em lugar de promover a desigualdade como programa de política educativa.
O discurso segundo o qual estamos perante um abaixamento generalizado das competências e que isso exige como resposta que a escola volte “aos conhecimentos básicos” não se fundamenta em nenhum diagnóstico comprovado nem na apresentação de qualquer dado objectivo. Sem base na realidade, o seu efeito é, pelo contrário, expurgar tudo o que na educação escolar possa ter uma relação com a vida quotidiana, com o mundo da vida dos jovens, com as capacidades, competências e conhecimentos ligados à cidadania, à promoção do pensamento crítico, da participação ou da curiosidade científica.
No Ensino Superior há uma séria limitação da actividade das instituições, rompendo-se metas estabelecidas e compromissos assumidos e agravando-se as condições de desigualdade no acesso e na frequência, seja através da pressão para o encarecimento da formação como forma de recolher receitas próprias, seja na diminuição das verbas disponíveis para a acção social escolar, seja na incapacidade de entender as qualificações produzidas como o principal recurso para um outro modelo económico. A limitação do investimento na investigação anuncia a prazo o fim das redes de produção de conhecimento científico que constituem um dos mais preciosos recursos que o país criou nas últimas décadas. Desperdiçar esse investimento e qualificação é eliminar uma das melhores possibilidades de reconstrução promissora do futuro do país.
O nosso país confronta-se hoje com um cenário em que se propõe à escola pública e ao ensino superior que recue décadas, quer na definição do seu papel, quer nas suas formas de organização, quer nas modalidades pedagógicas a que recorre. Pelo contrário, precisamos, em particular em contexto de crise, de um sistema educativo que seja mais democrático, mais respeitador da diversidade e mais promotor da igualdade.
A afirmação do conhecimento, da cultura e da cidadania obriga-nos, enquanto agentes da educação e da ciência, a utilizar todas as nossas energias contra o esvaziamento do papel do Estado na educação, o desmantelamento de políticas de combate às desigualdades escolares e contra uma reeestruturação curricular cujo sentido seja a recuperação de uma escola conservadora contra a complexidade e a abertura que a sociedade de hoje exige.
Ana Benavente (investigadora ex-Secret. Estado Educação,); Ana Cláudia Pimenta (Ass. Acad. Univ. Évora); Ana Costa (investig. ISCTE-IUL); Ana Drago (deputada Com. Educação da AR); Adriana Bebiano (investig., prof. FLUC); Almerindo Janela Afonso (investig., prof. Univ. Minho); António Avelãs (presidente SPGL); André Moreira (Presid. AE Esc. Secund. Paredes); António Teodoro (investig., prof. Univ. Lusófona); Arsélio Martins (Prémio Nacional de Professor 2007); Carlos Fortuna (investig., prof.FEUC); Conceição Nogueira (prof. Univ. Minho); Eduardo Melo (Presid. Ass. Acad. Coimbra) Eliana Tavares (AE ICBAS); Fátima Antunes (investig. IEC- UM); Fernando Rosas (investig., prof. FCSH – UNL); João Luís Queirós (trab-est, ESE, ABIC); João Mineiro (AE do ISCTE-IUL); João Teixeira Lopes (sociólogo); Jorge Martins (prof, ex- Director Regional de Educação;  Jorge Sequeiros (investig. IBMC); José Alberto Correia (prof., Director  FPCEUP); José Moreira (Vice-presidente do SneSup); José Soeiro (sociólogo, bolseiro investigação); Licínio Lima (investig., prof. Univ. Minho); Luiza Cortesão (Directora Inst. Paulo Freire); Manuel Carlos Silva (prof U. Minho, presidente APS); Manuel Grilo (prof., dirigente SPGL); Manuel Jacinto Sarmento (investig. IEC, prof. Univ. Minho); Manuela Mendonça (Presidente SPN); Marco Loureiro (presid. Ass. Acad. Guarda); Maria José Araújo (animadora); Maria José Viseu (Presid. Conf. Nacional Independente Pais e Encarregados de Educ); Maria José Vitorino (prof., bibliotecária); Maria do Rosário Gama (Ex-directora Esc. Sec. Infanta D. Maria); Mário Nogueira (Secretário-geral FENPROF); Marlene Espírito Santo (presidente AE da ES Enfermagem Lisboa); Miguel Reis (prof., Movimento Prof. Contratados); Nuno Serra (investigador CES); Paulo Guinote (prof. , blog educação do meu umbigo); Paulo Peixoto (investig., ex-presid. SNESup); Pedro Oliveira (prof ICBAS, dirigente SPN); Ricardo Silva (APEDE, Ass. Prof e Educadores em Defesa do Ensino); Rodrigo Pereira (AE ES Teatro e Cinema IPL); Rosa Madeira (investig., prof. Univ. Aveiro); Rui Bebiano (investig., prof.FLUC); Rui Borges (investigador FCUL); Rui d’Espiney (Instituto Comunidades Educativas); Rui Trindade (investig., prof. FPCEUP); Samuel Niza (investigador Inst. Sup. Técnico); Sérgio Niza (Movimento Escola Moderna)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

Importa refletir, sobre a importância da comunicação nos dias de hoje. 
A comunicação é uma necessidade absoluta dos nossos dias e poderá facilmente fazer-nos tropeçar, dificultar os nossos contactos e até provocar problemas se não atendermos aos seus princípios e requisitos.Saber comunicar, isto é fazer-se compreender, está a tornar-se um dos maiores problemas do mundo de hoje.

Tendo ou não consciência disso, todos nós passamos grande parte  do tempo, seja, a compartilhar emoções e afetos, seja, a trocar saberes e experiências,  ideias e informações,  ou ainda, a negociar bens e serviços, entre outras. Dependemos de quase todo o mundo e todo o mundo depende de nós. 

Neste entendimento, a comunicação torna-se  vital para o desenvolvimento e manutenção do relacionamento  humano. Nasce da intenção e vontade das pessoas, recíproca  e ativamente, se escutarem e não apenas ouvirem. 

A verdadeira comunicação pressupõe, por parte de cada interlocutor, uma elevada capacidade para entender o mundo emocional e vivencial do outro, sem ter de o sentir da mesma forma que ele o sente.Isto é, exige capacidade para se colocar no lugar do outro e vê-lo tal como ele é. Só deste modo é possível entender as suas mensagens, aperceber-se da sua singularidade e sentir as suas emoções.

Por vezes, o mais importante não é o que dizemos, mas o modo como os outros acolhem as nossas mensagens.


Em jeito de reflexão "não basta dizer a verdade, é preciso saber comunicá-la"