domingo, 30 de outubro de 2011

DA PRESCRIÇÃO.... À REFLEXÃO

Até há relativamente pouco tempo, o profissional de orientação vocacional era visto como um especialista que, através da aplicação de testes, prescrevia às pessoas/alunos(as) um curso, uma profissão que corresponderia às características individuais do(a) avaliado(a). 

Actualmente, vigora uma perspectiva mais ampla de orientação. O profissional de orientação já não se coloca na perspectiva de orientar em termos de carreira ou plano vocacional, mas de orientar a planificação de vida.

Mais do que apoiar na escolha de um curso ou uma profissão, cabe, ajudar as pessoas/alunos(as) a conhecerem as suas capacidades e competências, a identificarem os seus interesses, desejos e expetativas, para as apoiar na (re)construção do(s) seu(s) projeto(s) de vida.

Hoje, sabemos que o desenvolvimento vocacional é um processo contínuo e que a nossa criatividade e os nossos potenciais podem ser descobertos e melhorados em qualquer altura da vida. 

Cabe-nos, portanto, lançar mãos a novas ferramentas que favoreçam a nossa evolução pessoal e nos preparem melhor para a adaptação ao tempo em que vivemos e que nos permitam descobrir e aperfeiçoar novas competências, muitas das quais não sonhávamos ter.

Neste sentido, deve-se perspetivar a pessoa/aluno(a) como um todo, como pessoa que procura um sentido para a sua vida, que é portadora de uma história única, de expetativas e sonhos.

Não se pode pensar a orientação como uma receita prescrita, mas antes como um processo de reflexão que conduza ao auto conhecimento.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Qualificações e Competências...que diferenças?

Os sistemas de Ensino e de Formação assumem, cada vez mais, um papel fundamental na "produção" das qualificações indispensáveis para enfrentar, com sucesso, os exigentes desafios que nos são colocados diariamente, sobretudo ao nível profissional. 
No entanto, questionamos se o mercado de trabalho absorve, de facto, as qualificações que são produzidas por estes sistemas.

De acordo com  o último relatório da OCDE, Portugal surge como um país onde se verifica uma melhoria na qualificação da população, nomeadamente ao nível do ensino secundário. Este facto constitui um feito importante para o país, uma vez que durante décadas foi dos piores na educação e formação.
Assim, e neste contexto, importa perceber se os sistemas de educação e formação estão, de facto, a agir no sentido de produzir as qualificações necessárias para o desenvolvimento do país?

Existe uma diferença assinalável entre o conceito de qualificações e o conceito de competências. As primeiras, são categorias formais que dizem respeito a conhecimentos ou habilidades que se supõe estarem adquiridos por determinadas pessoas, através da posse de um determinado comprovativo formal, passado por uma entidade "idónea". As segundas, são acções concretas que produzem resultados observáveis e mensuráveis num dado contexto ou situação.

Neste entendimento, a competência mostra-se no acto, é um saber agir. Para saber agir é necessário ter conhecimentos, capacidades e saber mobilizá-los. A competência constrói-se e revela-se pela prática.
Assim, não é claro que uma pessoa que esteja qualificada para realizar determinada actividade, evidencie, só por isso, a competência de a "fazer bem".

A questão central, desta reflexão,  é a de sabermos se a progressão das qualificações é acompanhada por uma, expectável, melhoria das competências. De acordo com a filosofia chinesa - "O que se sabe não tem valor em si mesmo. O valor está no que se faz com o que se sabe"

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A importância da Educação num país em crise

Sou dos que pensam que uma modalidade diferente de educação está por inventar.Isto porque, os discursos e as práticas que sustentam os procedimentos educativos na instituição escolar têm vindo a falhar.

Nestes tempos de mudança, a par das exigências da qualidade do ensino devem estar as exigências da qualidade do exercício da cidadania. Não basta preparar cérebros, é decisivo formar pessoas.
Na essência, a educação tem de perseguir incansavelmente um objectivo muito concreto, ou seja, preparar os jovens para a sociedade de amanhã. Para isso, tem de ter em conta dois aspectos bem precisos: a preparação para a vida profissional e, talvez mais importante, a preparação para a vida em sociedade.

Neste entendimento, cabe à escola, entre outras, alertar os jovens para os grandes flagelos que afectam a humanidade e incentivar a sua intervenção cívica; ajudar  a perceber o seu papel social na comunidade e a vivê-lo de uma forma actuante;  informar e consciencializar dos seus direitos e deveres; a assumirem as suas responsabilidades individuais e sociais; a compreender que se pode ter influência e marcar a diferença na respectiva comunidade de pertença. 

Neste sentido, o ensino deve promover um modelo de cidadão livre, responsável, autónomo, solidário, possuidor de um espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, dotado de um espírito crítico e criativo em relação à sociedade em que se integra.

Numa sociedade cada vez mais marcada pelo discurso economicista, em que o fosso entre ricos e pobres se agrava diariamente, o papel da escola é necessariamente limitado.Pensar que a escola pode reformar a sociedade e acabar com as assimetrias sociais existentes é depositar nos seus ombros um peso excessivo. No entanto, a escola pode dar um contributo forte, uma vez que é uma instituição vocacionada para formar as gerações mais novas.
O investimento na educação não deve ser apenas mensurável em termos economicistas, uma vez que lhe está associado um efeito social multiplicador.
Assim, sem um novo discurso que ponha a economia ao serviço do homem, e não o seu contrário, a escola ficará sempre muito aquém do que dela é esperado




quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Na sociedade actual cabe à escola dar resposta à diversidade dos alunos que a frequenta....

Nos dias que correm a escola tem de dar resposta à diversidade dos alunos que a frequentam como consequência da exigência imposta pelo papel que é chamada a desempenhar na sociedade actual. Cada aluno é um indivíduo e a sua origem socioeconómica e cultural influencia a sua forma de ser e de estar.

Neste sentido, a escola tem de ser capaz de prevenir situações de exclusão e de segregação, de todos os alunos. Isto porque, uma escola só é eficaz quando atinge os objectivos a que se propôs alcançar, entre os quais, o sucesso escolar dos alunos. Sobretudo dos que são provenientes de meios sociais desfavorecidos, que na maioria dos casos, manifestam desinteresse, com consequências ao nível do abandono e insucesso escolar.

Algumas dessas respostas passam, por medidas que levem estes jovens a encontrarem significado para a sua permanência na escola e, a concluir com sucesso a sua formação e escolaridade.

A preocupação em dar a conhecer alternativas curriculares mais direccionadas para as características deste tipo de jovens como, os Cursos de Educação e Formação e/ou os Cursos Profissionais, tem sido um exemplo de algumas dessas medidas.

No entanto, a excessiva preocupação em orientar estes jovens para este tipo de percursos, muitas vezes conotados como "soluções" para alunos "malsucedidos e pobres" pode, em algumas situações,levar à criação de guetos dentro da escola e, consequentemente, provocar um efeito contrário.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O dilema do ensino-aprendizagem

Os resultados dos exames nacionais do ensino básico (9.º ano de escolaridade), à disciplina de português e matemática, registaram, mais uma vez, uma queda significativa.
Perante estes resultados a questão que se coloca é a seguinte:
Foi o aluno que não estudou ou foi o professor que não soube ensinar a matéria?
Sempre que se fala em insucesso, a responsabilidade recai no lado da aprendizagem (do aluno).

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Problemas da e na Escola

Pensar que a escola pode reformar a sociedade e colmatar as assimetrias sociais existentes é colocar uma grande responsabilidade e exigência à escola.Acredito que esta possa dar um contributo significativo, uma vez que é uma instituição vocacionada para formar as gerações mais novas, mas esperar que todos os males sociais sejam resolvidos por ela, é irrealista.

A Escola, enquanto instituição da modernidade, continua constituída (quanto a mim erradamente) segundo uma matriz que já não resulta:"ensinar a muitos como se fossem um só". Neste sentido, continua a lidar mal com a diferença. 

A frequência da escola por todos os alunos, sem descriminação de ordem económica, social, cultural ou étnica, tem como consequência a transformação directa em problemas escolares de todos os problemas sociais. Problemas que decorrem da  pobreza, do desemprego, mas também, dos que afectam cada vez mais a sociedade actual, como a toxicodependência, a violência juvenil, as doenças sexualmente transmissíveis, a desestruturação das famílias, entre outros.

Assim, todos os problemas sociais tornaram-se problemas escolares.

A resposta a essa transformação tem sido, até ao momento, a de alargar progressivamente as funções dos professores. Isto é, para além de ensinar, o/a professor/a tem de ser assistente social, mãe ou pai perante situações de carência afectiva, psicólogo, polícia, entre outras.Ou seja, já não basta aos professores dominar, apenas, a sua área científica.

Neste entendimento, é minha opinião, que se exige demasiado à escola e aos professores. Este alargamento desmesurado de funções e de responsabilidades poderá, de alguma forma, ser apontado como uma das principais causas do mal estar que afecta a Escola.

Na minha perspectiva, além de ser necessário um reassumir das responsabilidades por parte das famílias e da sociedade, a Escola, tem de ser uma instituição igualitária e, ao mesmo tempo, respeitar a diversidade.

Outra das formas de superar estes problemas passa pela integração, por parte da Escola, de outros profissionais (o assistente social, o psicólogo, o licenciado em ciências da educação "educólogo") que, com os professores (sem nunca perder de vista as suas funções) sejam  capazes de responder ao conjunto de problemas sociais existentes.